Ao nos depararmos com a fragilidade democrática e a crise de valores que nosso Brasil vem enfrentando, necessário que se reflita sobre conceitos ancoradouros das atitudes humanas: a Ética e a Educação. Ética e educação caminham juntas desde os filósofos gregos. Segundo Nadja Hermann em seu livro Pluralidade e Ética na Educação, há um ensaio com base nos costumes de vida dos gregos, daquilo que chamamos de bem viver ou bem agir. A ética contida nos fundamentos do agir moral humano, cria uma interpretação, passa a discuti-la e coloca as normas indispensáveis para a convivência humana em sociedade. A educação possui o papel de elaborar as trajetórias para esta formação, guiando o indivíduo rumo a uma vida social de virtudes, enquanto cidadão responsável no convívio com o outro.

No livro Filosofia da Educação de Henrique Nielsen, há um resumo acerca das ideias sobre  a área educativa: "Praticamente todas as doutrinas educacionais - do passado até hoje - já mereceram os mais diversos estudos e análises. Os resultados destes estudos analíticos permitem classificá-los em dois grandes grupos: educação progressista e educação tradicionalista ou conservadora".

A educação progressista seria aquela na qual "... o indivíduo é estimulado a ser espontâneo, independente, e, por isso mesmo, criativo." Já a educação tradicionalista, denominada por ele "heterônoma" acredita que "... o educando deve assimilar o conjunto dos bens culturais da humanidade de forma absoluta."

O referido autor Nielsen tem toda razão, não apenas ao se referir à área da educação, mas principalmente quanto ao pensamento filosófico do todo. Este impasse reflete um diálogo maior sobre a atividade cultural ocidental, como a Tensão iminente entre a lei ou o governo de outro e a Autonomia desregulada com lei própria, ou autogoverno.

A História é permeada por exemplos de como o panorama cristão ofereceu muitas vantagens para educação e para a vida intelectual ocidental.

Todo sistema que não reconhece a existência de leis absolutas "fora" da consciência do sujeito é um sistema autonomista.

A atual pós-modernidade é a autonomia levada ao extremo: não há verdade absoluta, e cada um "constrói" a verdade como quer.

Há de se convir que um ensino ético pautado no cristianismo tradicional é diferente dos objetivos das demais disciplinas, por sua ênfase em ajudar o aluno a construir uma resposta à perguntas sobre o sentido da sua vida, o que implica uma reflexão sistemática e vivência cotidiana em torno de um projeto pessoal ético e cidadão.

Qualquer que seja o enfoque adotado haverá sempre perguntas desafiadoras para refletir filosoficamente no campo da educação: O que é educar? Educar para que? Para que causas a educação serve?